Se você acompanhou a cerimônia de abertura da Copa do Mundo da FIFA de 2026 na Cidade do México na semana passada, provavelmente notou uns bonecos gigantes, de orelhas pontudas e pelo colorido correndo soltos e roubando a cena. Aquele bicho meio bizarro atende pelo nome de Labubu. O que antes era um item de nicho, colecionado por celebridades como Kim Kardashian e exibido a tiracolo por Lisa, do grupo de k-pop Blackpink, em abril de 2024, agora simplesmente invadiu o evento esportivo mais assistido do planeta. E o mercado está enlouquecido correndo atrás.
Criado pelo designer Kasing Lung, de Hong Kong, o boneco tem uma estética peculiar que flerta com o monstruoso. Ele ostenta olhos enormes e uma fileira de dentinhos afiados, fazendo parte de um universo de personagens apropriadamente batizado de “The Monsters”. Apesar do design inusitado, o bichinho já passou por algumas plásticas. Desde o seu nascimento em 2015, ele sofreu uma reformulação estratégica lá para 2019. Foi quando ele estourou de vez na Ásia, ganhando traços um pouco mais simpáticos que facilitaram sua aceitação pelo grande público, sendo a coleção “Exciting Macaron” o maior exemplo desse sucesso. O ecossistema de Kasing também abriga os Zimomos, que são basicamente os Labubus, só que com uma cauda de dinossauro. E essa simples cauda faz o preço ir parar na estratosfera, com edições especiais ultrapassando brincando a marca de 1 mil reais.
O verdadeiro pulo do gato dessa febre está no formato de venda. O Labubu surfa na onda das “blind boxes” (caixas surpresa), uma dinâmica viciante encabeçada pela fabricante Popmart. Você compra a caixa fechada e conta com a sorte para tirar o modelo que completa sua coleção, alimentando a mesma neurose que move os fãs de Sonny Angels, SkullPandas e bonecos Hirono. Lá fora, uma caixinha comum sai por volta de 22 dólares, cerca de 127 reais na cotação atual. O problema é que a Popmart não opera oficialmente no Brasil, deixando o consumidor refém do mercado cinza e de importadoras. Com a demanda nas alturas, colecionadores revendem as versões mais cobiçadas a peso de ouro. Uma colaboração exclusiva com a Coca-Cola ou a edição especial da marca Pronounce não sai por menos de 120 dólares, batendo quase 700 reais.
Essa aparição inusitada no mundial de 2026 não é só um meme; a colaboração limitada “The Monsters x FIFA Series” fez história ao se tornar a primeiríssima propriedade intelectual chinesa a dar as caras no evento. Como era de se esperar, o merchandising oficial já está evaporando. O boneco de pelúcia de vinil “Catch the Win”, que custa uns salgados 149,99 dólares, virou artigo de luxo. Hoje, a melhor aposta para quem quer surfar nessa onda e garantir o boneco ou os chaveiros temáticos da Copa é a vitrine oficial que a Popmart abriu recentemente na Amazon, porque o estoque está desaparecendo rápido.
Claro que o brasileiro tem um instinto de sobrevivência ímpar para o consumo. Com os preços estratosféricos e a ausência da marca oficial por aqui, o mercado nacional foi rapidamente inundado por cópias. A comunidade abraçou a pirataria com bom humor e batizou essas versões paralelas carinhosamente de “Lafufus”. Como não devem satisfação a ninguém, os Lafufus são vendidos fora de caixas surpresa, ostentando cores duvidosas, formatos bizarros e expressões faciais que beiram a crise existencial.
Ainda assim, se você estiver disposto a abrir a carteira para ter um original da Copa e acabar comprando de lojistas terceiros lá fora, como Walmart, Hot Topic ou BoxLunch, o papo é sério: é preciso fazer a lição de casa. Todo Labubu legítimo vem com um selo de segurança holográfico e um QR Code que joga direto no banco de dados de verificação da Popmart. E fica a dica de ouro dos colecionadores para não levar um Lafufu superfaturado para casa: conte os dentes. Um Labubu original de verdade tem exatamente nove.